![]() Em face dos actuais e vindouros até parecerá mentira. Parece, mas não é. Haverá 25, 30 anos ou mais. O Artur descia imperceptível com regular frequência à cave típica da «Candeia» para apreciar e ouvir Fado. Era o irmão do Alfredo Guedes e trabalhava em automóveis. Foi ficando, ficando e em breve estabeleceu amizade com os convivas da fadistagem, espécie de fadista silencioso que estava em todas sem se meter em cantorias. Apreciava, ouvia, opinava sensato e assim fomos ficando amigos de olhos nos olhos sem necessidade de mais qualquer explicação. E o tempo correu, correu depressa de mais, até que... |
Candeia, luz do passado entre sombras de saudade envoltas em nostalgia, ao recordar-me sentado naquela afamada cave onde o Fado acontecia... Oh... Que ináudito prazer, ao longo da madrugada entre amigos e afins, escutar e entender a guitarra dedilhada pelo Álvaro Martins... O Mário Lopes marcava à viola logo a par o compasso à harmonia; Fernando Gomes cantava enquanto o Almeida a fumar bebia Casal Garcia... Quantas noites eu passei em lauto apreço a ouvir para sonhar acordado, e tanto, tanto sonhei, que hoje pra me exprimir já canto também o Fado!... Porto, 27 de Junho de 2008 Torre da Guia |